“Família de Aluguel” é o tipo de filme que começa com um tom leve, quase sugerindo uma comédia, mas logo se revela um drama sensível sobre pertencimento, solidão e conexões improváveis. Dirigido por Mitsuyo Miyazaki, o longa apresenta Phillip Vanderploeg (Brendan Fraser), um ator americano frustrado profissionalmente que encontra, por acaso, um trabalho incomum: interpretar pessoas reais na vida de estranhos.
A narrativa acompanha Phillip em trabalhos que, inicialmente, parecem pura atuação. Porém, à medida que ele convive com pessoas desconhecidas, algumas solitárias, outras presas a expectativas sociais, os limites entre interpretar e sentir começam a se desintegrar. Fraser entrega uma performance madura, equilibrando fragilidade e humanidade, mostrando um personagem que redescobre o valor de “ser alguém para alguém”, mesmo que por um breve momento.
Os personagens secundários enriquecem o filme ao trazer camadas sociais e emocionais à história. Shinji (Takehiro Hira), chefe da agência, é um homem que sustenta mentiras dentro e fora do trabalho, revelando como a aparência de uma vida perfeita pode ser frágil. Masami (Sei Matobu), mãe solo, representa a pressão social e estabilidade, tão focada na ascensão da filha que se distancia emocionalmente dela sem perceber. Cada um deles traz reflexões sobre os papéis que assumimos, voluntariamente ou não, para manter tudo funcionando.
Miyazaki utiliza Tóquio como cenário vivo, mas de forma sutil e natural, sem estereótipos. A direção aposta em cenas simples, silenciosas, com grandes significados simbólicos, resultando em um drama intimista que se distancia da estética americana e mergulha em uma sensibilidade. O filme se estrutura como uma narrativa com início, meio e fim muito bem amarrados, sem excessos. É delicado, mas direto.
Com uma narrativa precisa e momentos comoventes na medida certa, “Família de Aluguel” é um filme que pode ser descoberto sem expectativas, mas que termina surpreendendo pela sinceridade emocional, convidando o espectador a olhar para as relações humanas com mais gentileza. Uma história bonita, tocante e conduzida com cuidado, reforçada pela excelente atuação de Brendan Fraser.
O filme chega aos cinemas em 2026!
Confira o trailer:
