Raiz, Rua e Ritmo: O Ano em que Bad Bunny Dominou de Novo

Resenha do álbum DeBÍ TiRAR MáS FOToS — 2025

Nota: 10/10

Mesmo já em 12 de dezembro, impossível fechar 2025 sem revisitar um dos álbuns mais discutidos do ano: DeBÍ TiRAR MáS FOToS, lançado em 5 de janeiro deste ano, onde Bad Bunny reafirma não apenas seu domínio na música latina, mas a força cultural que só um artista profundamente conectado às próprias raízes consegue sustentar.

Esse álbum não é só música — é identidade. Benito entrega um projeto que conversa diretamente com quem cresceu ouvindo perreo de esquina, reggaetón de carro antigo, festas improvisadas na sala, domingos de música alta enquanto a tia cozinha e os primos disputam espaço pra dançar. É o tipo de obra que só latinos reconhecem pela alma: jeito de amar, sofrer, rir e exagerar mesmo quando está sendo vulnerável.

A sonoridade mergulha na energia dos ritmos caribenhos, na percussão quente e contínua que atravessa gerações. O flow traz lembranças de festas de bairro, vocais rasgados que mexem com memória afetiva e letras que dialogam com experiências muito específicas da cultura latina, intensas, diretas, cheias de nostalgia e caos emocional.

Faixas favoritas que viraram vício do ano:

  • “FOTO PA’ EL RECUERDO” – introspectiva, com letras que doem de tão verdadeiras; Benito lembra aquele ex que some, volta, some de novo… e você tira foto mesmo assim.

  • “BARRIO CELEBRANDO” – puro pride latino. Aquele beat que lembra churrasco com vizinhança e criançada correndo pra lá e pra cá.

  • “NO BORRES NADA” – a mistura perfeita entre reggaetón old school e um refrão melódico que cola na cabeça.

  • “TAL VEZ SI, TAL VEZ NO” – a mais emocional, com aquela pegada dramática que todo latino entende sem precisar traduzir.

Particularidades que tornam o álbum especial:

  • A forma como Bad Bunny mistura vulnerabilidade com arrogância poética, algo muito dele.

  • As referências culturais sutis: hábitos, gírias, cenários e emoções que só fazem sentido para quem carrega saudade, intensidade e caos organizados no sangue.

  • A produção é limpa, moderna, mas nunca abandona a textura quente do Caribe.

  • O álbum inteiro tem cara de fotografia, memórias congeladas, algumas que queremos guardar, outras que preferíamos apagar, mas todas reais.

Conclusão

Bad Bunny entregou um álbum que não só marcou o início de 2025, mas acompanhou o ano inteiro como trilha sonora de festas, crises, romances, reviravoltas e momentos que definem a vida de qualquer jovem latino. É um disco que soa familiar, íntimo, quente — como quem abre a porta da própria casa e encontra música tocando porque sempre tem alguém vivendo alguma emoção forte.

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