Hamnet: A Vida Antes de Hamlet é um filme denso e profundamente humano, que mergulha nos momentos mais difíceis da vida. A narrativa fala sobre amor incondicional, coragem, fraternidade e maternidade, explorando as diferentes formas de lidar com o luto. É um retrato delicado de como as pessoas expressam a dor, enfrentam a ausência e encontram maneiras de preservar e eternizar o que há de mais bonito quando alguém amado se vai.
Dirigido por Chloé Zhao (Nomadland, Eternos), o longa-metragem conta a história de Agnes (Jessie Buckley), esposa de William Shakespeare (Paul Mescal), enfrentando o luto pela morte do filho Hamnet (Jacobi Jupe). A narrativa destaca a dor e a ressignificação diante da perda, enquanto sugere como essa experiência inspirou a criação de Hamlet, a obra mais célebre do dramaturgo.

Jessie Buckley é o destaque do filme do começo ao fim. Ela começa como uma mulher misteriosa e vista com preconceito pela sociedade, com uma certa ligação ao místico. No decorrer da trama, torna-se cada vez mais forte graças ao seu instinto maternal, e seu passado traumático a deixa muito mais protetora em relação aos filhos.
A atriz entrega uma dedicação incrível nos momentos mais importantes da jornada de Agnes. Ela grita, implora, reza. Como espectador, é impossível não sentir a avalanche de sentimentos da personagem. E simplesmente não há como não chorar quando o seu maior medo se torna real.
Por sua vez, o Will de Paul Mescal é um personagem mais distante. Ele está muito preocupado com sua carreira de dramaturgo, mas isso não o torna menos atento à família. Embora em constantes viagens para Londres, cuida de Agnes e de seus três filhos da melhor maneira possível, ainda que ache que isso não seja suficiente.

Assim como Agnes, Will carrega traumas do passado e não quer se tornar um pai violento como o seu próprio pai foi. Mas, como dito, o trabalho o afasta da criação dos filhos, e ele também sofre por não conseguir estar presente. Mescal consegue transmitir muito bem as angústias de Will e como isso afeta sua vida pessoal e profissional.
Hamnet, vivido por Jacobi Jupe, tem pouco tempo de tela, mas rapidamente se torna querido. Por ser o único filho de Will e Agnes, carrega uma enorme responsabilidade de proteger a família enquanto o pai está longe e mantém uma conexão intensa com sua irmã Judith (Olivia Lynes). Em seus últimos momentos no filme, o jovem protagoniza uma das cenas mais devastadoras de toda a trama. Somada à reação de Agnes, não há como não chorar.

Agnes e Will vivem o luto de formas diferentes. Por um lado, Agnes extravasa todos os seus sentimentos; por outro, Will não consegue realmente colocá-los para fora. Esse contraste pode ressoar no público de maneiras distintas, pois, assim como o casal, cada pessoa lida com o luto à sua própria maneira.
E Will encontra uma forma não convencional de mostrar o quanto ama seu filho e de eternizá-lo, principalmente em um de seus maiores sonhos.
Hamnet: A Vida Antes de Hamlet é um filme sensível e emocionante que retrata o luto como experiência universal, mostrando a força de Agnes e a fragilidade de Will. O longa destaca como cada forma de amar e sofrer é singular e conclui que a dor pode não desaparecer, mas pode ser ressignificada.
