Pânico 7 revive Sidney Prescott, mas tropeça no próprio legado

Neve Campbell como Sidney em Pânico 7 (Reprodução/Paramount)

Assistimos a Pânico 7, novo capítulo da icônica franquia de terror criada por Kevin Williamson e eternizada nos cinemas por Wes Craven. O filme chega com uma proposta diferente dos dois longas anteriores que foram liderados por Melissa Barrera e Jenna Ortega e tenta recentralizar a narrativa em sua personagem mais emblemática.

Desta vez, Sidney Prescott retorna como protagonista absoluta, novamente vivida por Neve Campbell. Mais madura e experiente, ela vive longe de Woodsboro, tentando manter uma rotina pacata ao lado da família. Dona de uma cafeteria e casada com um chefe de polícia, Sidney deseja apagar as marcas do passado, especialmente para proteger sua filha, Tatum (Isabel May), cujo nome carrega uma homenagem dolorosa à amiga que morreu na primeira onda de assassinatos.

Mas o passado nunca fica enterrado quando falamos de Ghostface.

Pânico 7 ganha trailer final com retorno de Sidney Prescott; confira
(Reprodução/Paramount Pictures Brasil)

A nostalgia como motor e armadilha

Embora a direção de Kevin Williamson aposte em atmosferas escuras, silhuetas intimidadoras e jumpscares eficientes, o roteiro parece excessivamente preso à nostalgia. O longa revisita eventos do primeiro Pânico e traz de volta Matthew Lillard como Stu Macher, numa tentativa clara de reconectar o público às origens da franquia.

Sidney volta ao centro da narrativa, mas desta vez com a missão de reafirmar sua identidade e, ao mesmo tempo, transmitir um legado. No entanto, esse legado, em pleno 2026, não apresenta identificação ou ampliação de diversidade que dialogue com o público contemporâneo.

Isabel May como Tatum em Pânico 7 - Reprodução/Paramount Pictures Brasil
Isabel May como Tatum em Pânico 7 – Reprodução/Paramount Pictures Brasil

Um dos pontos mais problemáticos está na condução das mortes. O Ghostface desta vez parece agir sem uma lógica narrativa clara. Algumas vítimas não recebem desenvolvimento suficiente para que suas mortes tenham peso dramático, enquanto outras simplesmente não fazem sentido dentro da construção da trama. Além disso, determinadas escolhas de quem eliminar acabam soando equivocadas, especialmente quando envolvem personagens cuja permanência poderia fortalecer o arco dramático. Em uma franquia conhecida por transformar suas mortes em eventos marcantes, essa falta de impacto prejudica o resultado final.

A história possui, sim, pontos positivos. Em determinados momentos, o suspense se sobressai, despertando a curiosidade de revisitar o primeiro filme para identificar conexões e detalhes sutis que dialogam com esta nova trama. Contudo, a condução do desfecho compromete parte da construção anterior, enfraquecendo demais o impacto final.

Courteney Cox como Gale Weathers em Pânico 7 - Reprodução/Paramount Pictures Brasil
Courteney Cox como Gale Weathers em Pânico 7 – Reprodução/Paramount Pictures Brasil

O apagamento da própria franquia

Chama atenção o fato de que praticamente tudo o que foi estabelecido nos dois filmes anteriores é descartado após a saída das irmãs Carpenter. Mason Gooding e Jasmin Savoy Brown aparecem apenas para estabelecer uma ponte, um tanto quanto preguiçosa, para unir o que está sendo apresentado aos dois capítulos anteriores; e sinceramente, se você for assistir Pânico 7 e não tiver assistido ao 5 e o 6, não vai notar essa ponte.

A motivação dos assassinos apresenta um bom ponto de partida, mas funciona apenas parcialmente. A repetição da dinâmica de casais movidos por obsessão e paixão já foi explorada anteriormente na franquia, e sua reutilização no sétimo filme transmite uma sensação de desgaste criativo.

No geral, Pânico 7 se estabelece como um bom filme se analisado de forma isolada, sem comparação direta com os capítulos anteriores ou com a trajetória da franquia. Funciona como entretenimento e entrega momentos de tensão consistentes. Entretanto, ao tentar criar uma nova história que posicione Sidney como transmissora definitiva do título de “final girl”, o longa adota soluções que soam apressadas e pouco inspiradoras, especialmente quando se considera o contexto envolvendo a saída de Jenna Ortega e Melissa Barrera.

NOTA: 6/10

Pânico 7 chega aos cinemas nesta quinta-feira (26).

Confira o trailer:

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