O documentário Zico, o Samurai de Quintino parte de uma premissa conhecida — revisitar a trajetória de um dos maiores nomes do futebol brasileiro —, mas encontra sua força justamente ao ir além dos feitos esportivos. Mais do que contar a história de Zico, o filme se propõe a revelar Arthur, o homem por trás do ídolo. Logo nos primeiros momentos, a narrativa estabelece esse duplo movimento: acompanhar a ascensão meteórica do garoto de Quintino até se tornar referência no Flamengo, enquanto constrói um retrato afetivo de suas relações familiares e pessoais. É nesse equilíbrio que o documentário encontra sua identidade. O ídolo que transcende o campo A trajetória esportiva é revisitada com atenção aos momentos-chave: o início precoce no futebol, a consagração como camisa 10 do Flamengo e a passagem pela Seleção Brasileira, onde Zico se consolidou como um dos maiores artilheiros da história. O filme acerta ao não romantizar completamente essa jornada. A derrota na Copa de 1982 surge como um ponto de inflexão, não apenas esportivo, mas emocional. Ali, o “maestro” dá lugar ao homem que carrega frustrações. A narrativa ganha ainda mais densidade ao abordar a lesão grave em 1985 e o retorno apressado para a Copa de 1986, decisão que o próprio Zico revê com certa amargura. Entre o herói e o anti-herói Um dos momentos mais interessantes do documentário é quando ele permite que a imagem quase intocável do ídolo seja tensionada. Ao revisitar o episódio de 1986, o filme constrói um raro espaço de vulnerabilidade, Zico não como herói absoluto, mas como alguém que também erra, hesita e sente. Essa escolha narrativa evita a armadilha comum de produções esportivas que transformam seus protagonistas em figuras unidimensionais. Aqui, o “anti-herói” não diminui o mito; pelo contrário, o humaniza. Japão, legado e transformação A decisão de deixar o auge do futebol brasileiro para jogar no Japão é tratada como um gesto que redefine o personagem. Longe de ser vista como um declínio, a passagem internacional reforça o papel de Zico como agente transformador — alguém que leva conhecimento, disciplina e mentalidade para além das quatro linhas. O documentário mostra como ele construiu um novo tipo de idolatria, baseada não apenas no talento, mas na influência direta no crescimento do esporte em outro país. O homem por trás do Galinho Se o campo construiu o mito, é fora dele que o filme encontra sua camada mais sensível. O casamento de décadas, a relação com filhos e netos e os depoimentos de nomes como Ronaldo Fenômeno, Júnior e Carlos Alberto Parreira ajudam a compor um retrato afetivo e respeitoso. Há um cuidado evidente em mostrar Zico como alguém que nunca se desconectou de suas origens, um traço que sustenta a narrativa do início ao fim. Um final à altura O encerramento no Maracanã, palco de seus maiores momentos, funciona como síntese do filme. Em uma cena silenciosa e carregada de significado, Zico surge caminhando sob a chuva, descalço, pisando no gramado onde construiu sua história. Sem recorrer a grandes eventos ou celebrações, o documentário aposta na simplicidade para encerrar sua jornada, um retorno íntimo ao lugar onde tudo ganhou sentido. A imagem, quase contemplativa, reforça a conexão profunda entre o jogador e o estádio, transformando o momento em um gesto simbólico de despedida e pertencimento. O filme estreia nos cinemas no dia 30 de abril 2026, confira o trailer oficial: Publicado por: Rebecca Souza author Rebecca Souza, 20 anos. Apaixonada por leitura. Fã de boybands (Directioner de coração) e sempre ligada no universo pop. Buscando transformar conhecimento em algo acessível, criativo e divertido. See author's posts Compartilhe isso: Compartilhar no Facebook(abre em nova janela) Facebook Compartilhar no X(abre em nova janela) 18+ Curtir isso:Curtir Carregando... Navegação de Post Super Mario Galaxy: O Filme diverte do começo ao fim Maldição da Múmia surpreende ao trazer terror de múmia em contexto doméstico