Maior ídolo da história do Flamengo destaca que a essência de sua trajetória foi forjada no coletivo e na ajuda mútua, valores centrais do novo documentário.

Foto da coletiva de imprensa do documentário "Zico, o Samurai de Quintino", com o painel do filme ao fundo. (Vitória Santos / Cafeina Pop)
Vitória Santos / Cafeína Pop

​Revisitar uma carreira que se mistura com a própria religião de uma torcida não é tarefa fácil. Durante as conversas sobre o documentário “Zico, o Samurai de Quintino”, o Galinho de Quintino não escondeu que as lágrimas foram inevitáveis. Para o eterno camisa 10, o resgate de suas memórias atingiu em cheio o coração.

​”É você lembrar das coisas, do que você passou, e o que teve que fazer. Isso tudo emociona bastante”, confessou Zico. “Tem alguns lances ali que eu vou ver dez vezes, vou chorar as dez vezes. Porque realmente toca na emoção, na sensibilidade”.

 

​A emoção, no entanto, vem acompanhada de uma forte mensagem sobre o comportamento da sociedade e do esporte atual. Em uma era dominada pelas redes sociais e pelo individualismo feroz, o ex-jogador fez questão de reafirmar a filosofia que guiou sua vida e que pauta o documentário: a força do coletivo.

​O “Nós” contra o “Eu”

​Zico desabafou sobre o contraste entre os valores do filme e o momento atual do mundo. “A gente vive um momento até muito complicado na vida, muito de individualidade, muito de ‘eu, eu, eu’… e eu sou do ‘nós'”, cravou.

Para ele, a produção vai na contramão dessa tendência, mostrando que o sucesso absoluto só é possível através da coletividade. “A filosofia que a gente passa no filme é justamente essa: de coletivo, de amizade, de ajuda um ao outro. De superar as dificuldades, que não foram poucas, para conseguir mostrar o seu caráter e a sua coragem”.

Crítica de "Zico, o Samurai de Quintino": Entre o herói e o homem
Divulgação / Sony Pictures

​A grandiosidade de ser tratado como um “Deus” por milhões de rubro-negros nunca alterou a bússola moral do craque. Questionado sobre a fama e a humildade, Zico foi taxativo: “Muitas vezes eu não encaro a humildade como elogio, encaro sempre como obrigação nossa, como cidadão. Fui assim a minha vida inteira. Fiquei famoso, saí em jornal, mas não tem nenhum motivo para eu mudar o meu comportamento”.

Com depoimentos de Ronaldo Fenômeno e Maestro Júnior, o documentário resgata acervo inédito e chega aos cinemas de todo o Brasil em 30 de abril. 

 

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By Vitória Silva

Vitória Silva, 24 anos. Viciada em cultura pop desde sempre, especialmente quando envolve capas, superpoderes e reviravoltas de explodir a cabeça. Amo o universo dos super-heróis e sim, sou do time que defende a Marvel mesmo quando ela erra (quase nunca, tá?). Entre uma crítica e outra, tô sempre buscando o easter egg perfeito e aquela teoria que ninguém teve coragem de escrever.

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