Jaafar Jackson em cinebiografia de Michael JacksonFilme chega aos cinemas nessa quinta-feira (23) Reprodução/Universal Pictures Brasil

Avaliação: 4 de 5.

Nessa quinta-feira (23), chega aos cinemas a tão aguardada cinebiografia de Michael Jackson, estrelada por Jaafar Jackson, sobrinho do cantor. Com direção de Antonie Fuqua, a produção também traz Colman Domingo como Joseph Jackson e Nia Long como Katharine Jackson, pai e mãe do rei do pop.

O roteiro do primeiro longa mostra os passos do pequeno Michael em Gary, Indiana, ao lado dos irmãos, a formação do Jackson’s 5 e os bastidores por trás dos dois maiores discos solo da carreira: Off The Wall (1979) e Thriller (1982).

O interessante aqui é a forma como o roteiro foi montado. A ruptura da narrativa acontece entre 1959 e 1988, momentos antes do icônico show da Bad World Tour em Londres, onde Michael Jackson se consolida como Rei do Pop, já tendo uma carreira solo consolidada.

Jaafar Jackson em cena de biografia em Cinebiografia de Michael Jackson
(Reprodução/Universal Pictures Brasil)

A cinebiografia é um deleite para os fãs. A começar pela brilhante atuação de Jaafar Jackson. Em diversas cenas, dá pra ver o cuidado e o esforço de imprimir as emoções de Michael. Dá pra ver que o trabalho aqui não foi só em termos de atuação: Jaafar também incorporou a dança, os movimentos e os trejeitos do tio.

Um ponto maravilhoso de equilíbrio é Colman Domingo, dando vida ao temido Joseph Jackson, pai abusivo e severo, que esteve no controle dos filhos até a vida adulta. A ponte entre o antagonista e o protagonista é extremamente bem construída, expressando os relatos de medo que o rei do pop sentia do pai e que foram relatados em diversas entrevistas ao longo dos anos.

Nia Long também traz dramaticidade à trama. Ela mostra o lado doce e vulnerável de Katharine Jackson, também descrita pelo rei do pop como “a pessoa mais amorosa” que já conheceu. É nítido, em algumas cenas, a tentativa de enfrentar Joseph, mesmo sob os comportamentos machistas que regiam a sociedade da época.

Colman Domingo como Joseph Jackson em cena de Michael
(Reprodução/Universal Pictures Brasil)

Mas agora vamos falar sobre os pontos em que a obra peca. Para começar, alguns fatos controversos da vida de Michael Jackson são abordados de forma muito superficial e lúdica. A começar pelas cirurgias plásticas no nariz.

Na trama, Michael percebe que precisa mudar a aparência para se parecer ainda mais com Peter Pan (algo completamente diferente dos antigos rumores de que ele teria fraturado o nariz em um ensaio em 1979).

Além disso, o filme perde a oportunidade de mostrar como Michael ficou obcecado por colocar os singles de Thriller nas paradas de sucesso, ligando para John Blanca e para o presidente da gravadora durante a madrugada caso as músicas não estivessem no topo, e todo o objetivo de criar o “álbum mais vendido do mundo” após ser esnobado no Grammy em 1980 com Off The Wall.

Jaafar Jackson em  cena de Thriller em Michael
(Reprodução/Universal Pictures Brasil)

Outro ponto é a compra do Rancho Neverland em 1983 (que não foi relatada no filme), algo que decepciona, já que, ao longo da narrativa, é construída e mostrada a relação de Michael com Peter Pan e O Mágico de Oz, descrevendo “Neverland” como um lugar perfeito.

O que também vai contra o relato de que Michael viveu com a família até meados de 1984, durante a Victory Tour (turnê na qual ele teve diversos atritos com os irmãos, ficando em hotéis diferentes e indo contra algumas atitudes decididas pela família, como a venda de ingressos a preços exorbitantes).

Algo que também poderia ser explorado é o interesse de Michael pelo mercado de ações dentro da música. Durante o período de Thriller, Michael adquiriu um vasto catálogo musical, detendo direitos de diversos artistas, como os Beatles.

Um dos pontos que mais me fez sentir falta foi o apagamento de figuras importantes na história do rei, como Diana Ross, Elizabeth Taylor e Janet Jackson. No filme, as únicas integrantes femininas da família Jackson são LaToya e Katherine (o que vai contra a própria história de Jackson, já que Janet era uma de suas inspirações em trabalhos posteriores a Bad, e vice-versa).

Também é preciso falar sobre o corte abrupto no fim da história. É notável que eles não souberam como terminar a grandiosidade da trama, deixando tudo “para um futuro próximo”.

Mas no geral, o filme vai agradar quem é fã do Rei do Pop, que com certeza vai sair com o coração quentinho ao rever momentos icônicos sendo revistados por Jaafar.

Confira o trailer na íntegra:


Publicado por:

By Gabriel Girão

Jornalista carioca de 30 anos, criador do Cafeína Pop e apaixonado por cultura Pop. Desde 2017 escreve sobre entretenimento e atua como parceiro do R7 para portais de música, cinema, moda e famosos.

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