Críticas

Todo Mundo em Pânico 6 traz uma paródia atualizada dos filmes de terror, mas não inova

Nova sequência resgata os irmãos Wayans e aposta na nostalgia para reconquistar os fãs da franquia nos cinemas.

Elenco de Todo Mundo em Pânico 6.

Avaliação: 3 de 5.

Nessa quinta-feira (4) chegou aos cinemas o tão aguardado Todo Mundo em Pânico 6, que traz de volta a famosa paródia de filmes de terror comandada por Shawn e Marlon Wayans após um afastamento no terceiro e no quarto filme da franquia. Prometendo mais piadas e um conteúdo atualizado com os sucessos do cinema atual, o filme não tem medo de abordar certos temas ao longo das 1h:30 de duração.

Confira o trailer na íntegra:

Após quase duas décadas longe dos cinemas retorna apostando justamente naquilo que a transformou em um fenômeno dos anos 2000: parodiar os maiores sucessos do terror e da cultura pop. Em Todo Mundo em Pânico 6 entrega exatamente o que promete e isso é, ao mesmo tempo, sua maior qualidade e seu principal problema.

Desde os primeiros minutos, fica evidente que o longa não tem qualquer pretensão de construir uma narrativa coerente ou personagens com profundidade. A estrutura continua sendo a mesma sucessão de esquetes interligados por um fio narrativo tênue. O problema central, porém, não é a forma, é o tempo.

O roteiro, assinado por cinco nomes, ancora suas principais referências em filmes como Corra! (2017), Halloween (2018), Ma (2019) e John Wick (2014). Não há nada intrinsecamente errado em parodiar esses títulos, mas há um desequilíbrio sintomático: enquanto a franquia esteve ausente das telas, o cinema de terror passou por uma reinvenção completa

As melhores paródias funcionam como comentários sobre o presente, não como balanços retrospectivos. Quando Scary Movie (2000) parodiou Pânico (1996) e Eu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado (1997), havia uma imediaticidade que tornava cada referência um ato de cumplicidade com o espectador. Todo Mundo em Pânico 6 opera no modo oposto: é um filme que parece ter chegado de um fuso horário diferente.

(Reprodução/Paramount Píctures/Brasil)

Curiosamente, os momentos mais bem-sucedidos surgem quando Todo Mundo em Pânico 6 abandona a obrigação de recriar cenas famosas e investe em seu próprio vocabulário. As mortes em cadeia inspiradas em Premonição, o humor metalinguístico que envolve os próprios personagens clássicos da série e as piadas com os clichês mais recorrentes do gênero funcionam com uma energia que as referências diretas raramente alcançam. Nesses momentos, a franquia parece confiar no que sabe fazer melhor: rir de si mesma e das convenções que a tornaram possível.

Há também uma tentativa genuinamente interessante de comentar a febre das legacy sequels, esse modelo hollywoodiano de revitalizar franquias antigas misturando rostos consagrados a novos protagonistas. A crítica é mais insinuada do que desenvolvida, mas gera algumas das situações mais divertidas do longa e demonstra que a série ainda possui, quando quer, certa capacidade de autoconsciência.

(Reprodução/Paramount Pictures Brasil)

Vale notar que o filme demonstra algum cuidado em não repetir certos excessos que tornaram os capítulos anteriores problemáticos em retrospecto. Sem abrir mão do humor politicamente incorreto que sempre caracterizou a série, o roteiro parece mais consciente de onde as piadas podem machucar e onde apenas incomodam.

Avaliar o filme pelos critérios de uma comédia convencional seria tanto injusto quanto impreciso. A trama existe para satisfazer um espectador que já sabe exatamente o que quer: o escracho, as referências, o humor sem compromisso com coerência ou refinamento. Para esse público, a missão é amplamente cumprida.

Todo Mundo em Pânico 6 não fracassa. Diverte, provoca gargalhadas, cumpre seu contrato com o nicho que o sustenta. Mas chega com a impressão de uma festa boa que começou três anos depois da hora, animada, barulhenta e, no fundo, um pouco ansiosa para provar que ainda tem algo a dizer.

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