O novo filme de Robin Campillo, Enzo, é um retrato delicado sobre crescer e encontrar a própria identidade. Aos 16 anos, Enzo rompe com as expectativas da família burguesa ao trabalhar como aprendiz de pedreiro, afastando-se da vida confortável que os pais planejavam. No canteiro de obras, conhece Vlad, um ucraniano carismático que desperta sentimentos confusos e o faz refletir sobre privilégios e escolhas. A narrativa mostra bem a fase difícil da adolescência: Enzo (Eloy Pohu) é talentoso e inteligente, mas se sente deslocado diante das cobranças da escola e da família. O contraste com o irmão, que segue o “caminho certo”, aumenta sua sensação de não pertencer. O filme evita clichês do “rebelde sem causa” e mostra um jovem em dúvida, tentando entender quem é e o que deseja. A sexualidade de Enzo é tratada com naturalidade: ele é bissexual e isso não parece ser tabu para a família. O conflito surge na paixão por Vlad (Maksym Slivinskyi), marcada pela diferença de idade e pela consciência de que essa relação não pode acontecer. Vlad sabe impor limites e, além disso, torna-se uma figura de aprendizado, ajudando Enzo a enxergar além de sua bolha privilegiada. Enzo (Eloy Pohu) e Vlad (Maksym Slivinskyi) em Enzo (Divulgação/Mares Filmes) Enzo mostra que gosta de desenhar estátuas e ruínas, o que faz pensar que ele pode seguir outros caminhos fora da alvenaria que podem aproveitar bem seus talentos, como arquitetura, ou até mesmo se tornar historiador ou arqueólogo. Campillo filma com calma, deixando que silêncios e olhares falem mais do que diálogos. Eloy Pohu, no papel de Enzo, entrega uma atuação discreta, mas convincente, que traduz bem a confusão silenciosa da Geração Z. O filme não busca respostas definitivas e mostra que passar pela adolescência é uma construção que leva tempo, entre erros, acertos e mudanças — assim como erguer uma casa. E talvez nem tudo fique como o esperado. Enzo é uma obra sutil e envolvente sobre amadurecimento, que se soma ao cinema queer com inteligência e sensibilidade. A metáfora da construção atravessa toda a narrativa e se encaixa no final, reforçando a ideia de que crescer é erguer-se sobre ruínas e novas possibilidades. Não é um filme de grandes revelações, mas de pequenos gestos que, juntos, formam um retrato da juventude atual. Enzo estreia no dia 19 de março nos cinemas dos Brasil. Publicado por: Sérgio Scarpa author Formado em Psicologia e técnico em Administração. Comecei na redação web em 2018. Escrevo sobre filmes, séries e animações, como também críticas e cobertura de eventos e novelas, com um amor especial por monstros, super-heróis, desenhos animados e jogos. See author's posts Navegação de Post Devoradores de Estrelas mistura ciência e emoção mas se perde na construção lenta