Quando pensamos em filmes de múmias, a expectativa costuma ser de grandes aventuras épicas, cheias de pirâmides, catacumbas e batalhas apocalípticas, como em A Múmia (1999). Mas Maldição da Múmia, dirigido por Lee Cronin, segue outro caminho: em vez de espetáculo grandioso, entrega uma história reservada, mais próxima de um filme de possessão demoníaca. O enredo acompanha uma família que reencontra a filha anos após seu desaparecimento. O retorno, no entanto, traz consigo algo muito mais sombrio: dentro da jovem habita uma entidade egípcia amaldiçoada. A partir daí, o filme se desenrola em cenários cotidianos (casas, universidades, delegacias) deixando de lado o imaginário clássico das pirâmides e tesouros. Cronin constrói boas sequências de suspense e mantém a tradição das histórias de possessão, com momentos tensos e bastante horror físico. O filme não chega a ser assustador, mas aposta em cenas viscerais e repulsivas para causar impacto. Maldição da Múmia entrega sustos decentes e se apoia em ideias já vistas em outros filmes de terror. O resultado é um híbrido curioso: violento, barulhento, mas ao mesmo tempo genérico. O longa tem bons efeitos práticos, com destaque na caracterização e maquiagem de Natalie Grace como Katie Cannon, a garota que foi mumificada viva. Maldição da Múmia (Reprodução/Warner Bros.) Para os fãs do gênero, há bastante sangue e brutalidade para se divertir; para quem esperava uma reinvenção das histórias de múmias, pode soar decepcionante. O filme deve agradar também a quem aprecia a franquia Invocação do Mal. Lee Cronin arrisca ao transformar a maldição das múmias em um terror de pequena escala, o que limita o desenvolvimento dos personagens e da própria mitologia. Há muito material que poderia ser melhor explorado psicologicamente, como os traumas deixados na família após o rapto de Katie, além de um aprofundamento maior sobre a entidade maligna que eles estão enfrentando. No fim, Maldição da Múmia é menos sobre pirâmides e mais sobre os monstros que carregamos dentro de casa — e dentro de nós. O filme não redefine o gênero, mas oferece uma experiência intensa e grotesca que deve agradar aos amantes de horror visceral. Publicado por: Sérgio Scarpa author Formado em Psicologia e técnico em Administração. Comecei na redação web em 2018. Escrevo sobre filmes, séries e animações, como também críticas e cobertura de eventos e novelas, com um amor especial por monstros, super-heróis, desenhos animados e jogos. See author's posts Compartilhe isso: Compartilhar no Facebook(abre em nova janela) Facebook Compartilhar no X(abre em nova janela) 18+ Curtir isso:Curtir Carregando... Navegação de Post Crítica de “Zico, o Samurai de Quintino”: Entre o herói e o homem