Sorry, Baby, que tem Eva Victor como escritora, diretora e protagonista, é um filme maduro e empático que aborda a amizade, a feminilidade e a coragem de continuar vivendo mesmo após um trauma. O longa-metragem equilibra um humor simples com um drama profundamente sério. O filme conta a história de Agnes (Eva Victor), uma professora de literatura em uma faculdade de artes, que se encontra presa em uma rotina. Ao longo de cinco capítulos, a narrativa revela a razão de sua inércia: um assédio sexual cometido por seu professor, Preston Decker (Louis Cancelmi), durante seus estudos de pós-graduação. Sorry, Baby se destaca por focar no processamento da vida real após o trauma. A abordagem é crua e corajosa, oferecendo um dos retratos mais francos das consequências de um assédio na vida de uma mulher. A devastação é sentida na forma como o trauma se manifesta em momentos quase mundanos e inconvenientes: em um jantar com velhos amigos, no júri ou enquanto dirige. Para evitar que a trama se torne sombria demais, há algumas pitadas de humor. Eva Victor como Agnes em Sorry, Baby (Divulgação / Mares Filmes) O coração do filme está no ritmo e na química entre Eva e Naomi Ackie, que interpreta Lydie, a melhor amiga de Agnes. As atrizes mostram uma amizade crível em cena, é honesta, acolhedora e repleta de piadas internas. Lydie também funciona como contraponto à inércia da vida pessoal e profissional de Agnes. Enquanto a protagonista parece “empacada”, Lydie está esperando um bebê, morando em outra cidade e começando um novo relacionamento. Sorry, Baby evita tratar todos os personagens como heróis ou vilões. Ao longo do filme, há uma articulação entre as falhas da humanidade e a esperança, que pode surgir até mesmo em estranhos. No dono de uma lanchonete, Agnes encontra alguém em quem confiar além de Lydie; e, através do vizinho, aprende que ainda existem homens honestos e sentimentais. Agnes (Eva Victor) e Lydie Naomi Ackie em Sorry, Baby (Divulgação / Mares Filmes) Apesar disso, é triste ver Agnes acumulando motivos para que seu abusador não receba a punição que merece, assim como é deprimente observar como ela é tratada pelas pessoas que mais deveriam lidar com o caso com seriedade. O longa-metragem reforça a mensagem de que coisas ruins acontecem e o mundo não se importa com isso. Ele não espera, é preciso recolher os próprios cacos enquanto tudo à volta continua a se mover. E Agnes se torna alguém determinada a impedir que o mesmo mal aconteça com a próxima geração. Sorry, Baby é um tributo à sobrevivência cotidiana. É sobre adaptação, seguir em frente aos trancos e barrancos e encontrar consolo na amizade e em pessoas improváveis. O filme quer que a experiência de Agnes seja vista e sentida em sua totalidade pelo expectador. Publicado por: Sérgio Scarpa author Formado em Psicologia e técnico em Administração. Comecei na redação web em 2018. Escrevo sobre filmes, séries e animações, como também críticas e cobertura de eventos e novelas, com um amor especial por monstros, super-heróis, desenhos animados e jogos. See author's posts Compartilhe isso: Compartilhar no Facebook(abre em nova janela) Facebook Compartilhar no X(abre em nova janela) 18+ Curtir isso:Curtir Carregando... Navegação de Post “Família de Aluguel” surpreende e emociona “Os Donos do Jogo” confirma força da Netflix, mas falha no ritmo.