Críticas

Toy Story 5 renova a franquia ao encarar os desafios da nova geração

Toy Story 5

Após cinco filmes e mais de três décadas de história, seria fácil imaginar que a franquia Toy Story já tivesse dito tudo o que precisava. No entanto, Toy Story 5 surpreende justamente por encontrar uma nova forma de discutir um tema que sempre esteve presente em sua essência: o amadurecimento.

Se no primeiro longa a grande preocupação era a chegada de um novo brinquedo, agora o desafio é muito maior. Bonnie cresce em um mundo conectado, cercada por telas e tecnologias que transformam não apenas a forma de brincar, mas também a maneira como as crianças se relacionam com o mundo ao seu redor.

O resultado é uma continuação que entende perfeitamente o legado da franquia e consegue atualizar sua mensagem sem perder o coração que tornou esses personagens tão amados.

Toy Story 5
(Divulgação/ Pixar)

A tecnologia não é a vilã da história

A chegada do tablet Lilypad poderia facilmente transformar o filme em uma crítica simplista ao uso da tecnologia. Felizmente, a Pixar escolhe um caminho mais inteligente.

Quando Bonnie passa a utilizar o dispositivo para se aproximar de outras crianças e lidar com a sensação de exclusão social, a narrativa deixa claro que o problema não está na tecnologia em si, mas na forma como ela é utilizada.

A discussão é especialmente relevante porque Bonnie representa uma geração que nasceu cercada por telas. Onde não se conhece um mundo sem internet.

Essa abordagem torna o filme surpreendentemente atual e evita cair em discursos moralistas.

Jessie assume o protagonismo com emoção

Embora Woody continue sendo uma peça importante da trama, é Jessie quem carrega o peso emocional da narrativa.

A vaqueira retorna a lugares ligados ao seu passado e precisa enfrentar medos que a acompanham desde sua primeira aparição na franquia. O receio de ser abandonada novamente se torna o combustível para uma jornada emocional que funciona muito bem.

A relação entre Jessie e Lilypad cria um conflito interessante. Em diversos momentos, a dinâmica lembra a rivalidade entre Woody e Buzz Lightyear no primeiro Toy Story, mas agora sob uma perspectiva completamente diferente.

Enquanto tenta proteger seu espaço no coração de Bonnie, Jessie acaba descobrindo que o futuro não precisa necessariamente apagar o passado.

Humor, aventura e nostalgia na medida certa

Mesmo abordando temas mais complexos, Toy Story 5 nunca esquece que precisa ser divertido.

As sequências envolvendo os novos modelos de Buzz Lightyear garantem algumas das  piadas do filme, enquanto as aventuras paralelas mantêm o ritmo acelerado durante toda a projeção.

A animação continua impecável, mostrando mais uma vez o domínio técnico da Pixar. Os cenários são ricos em detalhes, as expressões dos personagens estão mais refinadas do que nunca e a direção consegue equilibrar momentos grandiosos com cenas intimistas.

Além disso, o longa sabe exatamente quando utilizar a nostalgia. Em vez de depender apenas de referências aos filmes anteriores, a produção utiliza o passado dos personagens para enriquecer a história atual.

Uma reflexão sobre infância e mudança

O aspecto mais interessante de Toy Story 5 é perceber como a franquia continua acompanhando o crescimento de seu público.

Antes, o desafio era aceitar que Andy cresceu. Agora, a história mostra que Bonnie também está mudando. E, de certa forma, nós também.

Existe uma melancolia genuína ao ver brinquedos disputando espaço com telas, aplicativos e dispositivos cada vez mais presentes no cotidiano das crianças. O filme reconhece essa transformação como uma realidade inevitável, mas sem ignorar os impactos que ela pode causar.

É justamente aí que a narrativa encontra sua maior força. Ao acompanhar Bonnie se afastando gradualmente das brincadeiras que antes ocupavam seus dias, Toy Story 5 nos lembra do valor da imaginação, da criatividade e das histórias criadas longe das telas. A tecnologia aparece como uma ferramenta que pode ter seu papel, mas o filme deixa claro que nenhuma inovação é capaz de substituir completamente as experiências construídas através do “brincar”.

Mais do que uma discussão sobre brinquedos e aparelhos eletrônicos, a animação faz uma defesa delicada da infância. Daquela fase em que uma caixa pode virar um castelo, um quintal pode se transformar em um mundo inteiro e alguns brinquedos são suficientes para criar aventuras inesquecíveis. É uma reflexão que conversa tanto com as crianças de hoje quanto com os adultos que cresceram ao lado de Woody, Buzz e companhia.

Vale a pena assistir?

Sem tentar reinventar sua fórmula, Toy Story 5 encontra uma história relevante para os dias atuais e consegue emocionar sem depender apenas da nostalgia.

A Pixar acerta ao transformar a relação entre infância e tecnologia em um debate acessível para crianças e adultos, enquanto desenvolve uma das jornadas mais interessantes de Jessie em toda a franquia.

Com humor, aventura e momentos genuinamente emocionantes, o filme prova que ainda existe espaço para novas histórias dentro desse universo. Mais do que uma continuação, Toy Story 5 funciona como uma reflexão sobre crescer, mudar e aprender que algumas brincadeiras nunca desaparecem, elas apenas ganham novas formas.

Toy Story 5 chega aos cinemas no dia 17 de junho de 2026. Confira o trailer:

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