João Wainer utilizou técnicas de ficção e rodas de conversa para fugir do formato tradicional e capturar a essência do Galinho de Quintino.

Fazer um filme de esporte tem suas armadilhas, sendo a maior delas o temido formato das “talking heads” — aquelas entrevistas engessadas onde pessoas sentadas em um estúdio apenas disparam elogios sobre o biografado. Para o documentário “Zico, o Samurai de Quintino”, o diretor João Wainer decidiu que a história de Arthur Antunes Coimbra merecia uma abordagem totalmente diferente.

Para capturar a essência do ídolo, Wainer buscou inspiração em suas experiências com o cinema de ficção, criando um ambiente mais orgânico e horizontal. “Eu tenho refugado do talking heads cada vez mais”, explicou o diretor. “Você vê, não tem entrevista de ‘ah, o Zico era incrível por causa disso e daquilo’. A gente criou pequenas mesas de conversa para que tudo fosse mais fluído”.
A alma não tem preço
O resultado dessa direção menos intrusiva foi a criação de um clima leve e verdadeiro no set, algo que, segundo Wainer, o próprio Zico já traz naturalmente para a frente das câmeras. Essa sinergia resultou no que o diretor classifica como o maior trunfo da obra: a sua “alma”.
”Existem filmes com alma e outras que não têm. E a alma não é o dinheiro que compra. Você pode ter milhões de orçamento e o filme ficar sem alma”, refletiu o cineasta. “A relação que a gente construiu acabou trazendo uma alma para esse filme. Não dá pra explicar, não dá pra comprar. A alma você sente ou não sente”.
O próprio Zico fez questão de arrematar a fala do diretor relembrando um momento histórico que dialoga perfeitamente com a proposta do longa. Com um sorriso no rosto, o ídolo revelou a frase icônica escrita em uma faixa no dia de sua despedida dos gramados: “Se o futebol tem alma, o nome dela é Zico”.
